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IA no audiovisual pode limitar acesso e diversidade

Com novas dinâmicas, o uso da tecnologia pode reduzir portas de entrada e limitar a construção de diferentes perspectivas no mercado.

Por: Redação Fonte: Agência Dino
24/03/2026 às 21h27 Atualizada em 25/03/2026 às 00h40
IA no audiovisual pode limitar acesso e diversidade
Foto ilustrativa: Envato

A inteligência artificial (IA) já começa a mudar o audiovisual. A tecnologia pode redistribuir até US$ 60 bilhões por ano na indústria do cinema e da TV, segundo a McKinsey & Company, no estudo "How generative AI could reinvent the production of video content" (2023). O movimento levanta debate sobre mudanças no financiamento de projetos, no acesso ao setor e na forma como as histórias são construídas.

Na prática, essa transformação já é percebida em diferentes etapas da produção, desde a criação de roteiros até a geração de imagens, vozes e personagens digitais. Para Danilo Rowlin, cofundador da Meraki, hub de produção audiovisual, "a IA não ameaça apenas funções, mas a pluralidade, a construção de narrativas e o acesso ao mercado no audiovisual", afirma.

O setor audiovisual é intensamente dependente de mão de obra ao longo de toda a cadeia produtiva, que vai do desenvolvimento de ideias à pré-produção, filmagens, pós-produção e distribuição dos projetos. Em 2024, a indústria movimentou R$ 70,2 bilhões no Brasil, gerou 608.970 postos de trabalho (entre diretos, indiretos e induzidos) e arrecadou R$ 9,9 bilhões em impostos, segundo o relatório "A Contribuição Econômica da Indústria Audiovisual no Brasil", divulgado em 2025.

Nesse cenário, o avanço da IA também intensifica o debate sobre a entrada de novos profissionais no setor. Ao automatizar etapas da produção e reduzir a demanda por determinadas funções, a tecnologia pode restringir oportunidades de entrada, especialmente para quem está começando.

Esse movimento também levanta um alerta para o recorte social de corpos dissidentes. Grupos como pessoas LGBTQIAPN+, povos originários e pessoas pretas podem ser ainda mais impactados, o que aponta para o risco de enfraquecimento da diversidade nas produções, tanto na frente quanto por trás das câmeras. "Quando falamos em pluralidade, falamos em criar um espaço real para que novos talentos consigam entrar e se desenvolver com o máximo de seu potencial. Se essas portas começarem a se fechar, nós estaremos assumindo um fracasso no avanço da equidade", explica.

Regulação e limites

A ascensão da inteligência artificial também intensifica a discussão sobre regulamentação dos direitos de imagem. Em um cenário em que vozes e rostos podem ser replicados digitalmente, cresce a preocupação com o uso indevido da identidade de profissionais e com a ausência de regras claras para esse tipo de aplicação.

Segundo Rowlin, a evolução tecnológica tem progredido em ritmo mais acelerado do que a construção de diretrizes legais e institucionais no Brasil. "Antes de discutirmos até onde a inteligência artificial pode chegar no audiovisual brasileiro, precisamos falar sobre controle de imagem e criar uma legislação firme para as redes sociais, definindo o que pode ou não ser feito com esses conteúdos. Hoje, isso ainda é pouco definido, o que fragiliza o nosso setor e abre portas para que qualquer pessoa que tenha o mínimo acesso a essa tecnologia possa replicar inverdades e até cometer crimes", avalia.

Ainda de acordo com o diretor, sem uma estrutura institucional consolidada e mecanismos de proteção aos profissionais, a tecnologia pode se desenvolver de forma desordenada, aprofundando desigualdades e fragilizando a cadeia produtiva. "Se não tiver um estatuto, uma organização, um envolvimento amplo dos sindicatos das categorias junto com o governo do país, a gente não consegue nem começar a discutir limites. A tecnologia avança, mas a estrutura do setor também precisa acompanhar esse movimento", finaliza.

Sobre a Meraki

A Meraki é um hub de produção audiovisual que nasceu para impulsionar a pluralidade, inovação e representatividade no mercado. Fundada há quase dez anos pelos irmãos Danilo e Jacqueline Rowlin, a empresa consolidou sua identidade com um modelo de trabalho horizontal, atendendo desde grandes marcas até produções independentes. Atualmente, possui três frentes de atuação: agenciamento artístico, produção e direção de elenco e produção geral, reunindo em uma mesma estrutura talentos, equipes e criação. O nome Meraki vem do grego e carrega o propósito de fazer algo "com alma, criatividade e amor". A empresa mantém o lema de produzir, realizar e humanizar, fortalecendo narrativas plurais. Entre seus compromissos centrais estão a inclusão, o apoio a profissionais da periferia e pessoas trans, além do combate a qualquer tipo de preconceito.

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