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Big techs investem US$ 600 bi em infraestrutura de IA

Base física robusta é necessária para treinar as inteligências artificiais, que podem melhorar a produtividade de até 2,3% ao ano na América Latina...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
09/04/2026 às 14h22
Big techs investem US$ 600 bi em infraestrutura de IA
Banco de imagens Freepik

Com a inteligência artificial cada vez mais ganhando espaço na rotina profissional e pessoal, as gigantes da tecnologia vêm travando uma disputadíssima corrida para ver quem leva a melhor. Só neste ano, Meta, Alphabet, Microsoft e Amazon projetam investir mais de US$ 600 bilhões em infraestrutura para IA, a base física e tecnológica para treinar os modelos de inteligência artificial generativa. Trata-se de: chips de alto desempenho, datacenters gigantes, redes e armazenamento de dados, além de avançados sistemas de refrigeração, uma vez que os chips de IA geram muito calor.

A dimensão geopolítica também está presente na corrida pela liderança em inteligência artificial. Estados Unidos e China, que sacudiu o mercado de IA generativa até então dominado pelos norte-americanos com o lançamento do Deepseek, disputam a dianteira tecnológica. Ambos buscam fortalecer suas capacidades em áreas estratégicas como chips avançados, computação em nuvem e pesquisa em algoritmos. Para muitos analistas, a IA tende a se tornar um dos principais vetores de competitividade econômica e influência global nas próximas décadas.

"Os investimentos são vultosos porque ninguém quer ficar para trás", diz José Maurício Caldeira, sócio e membro do Conselho de Administração da Colpar Brasil, holding que atua em vários segmentos, como agronegócio, indústria e urbanismo. "Ninguém quer correr o risco de ficar distante da liderança deste mercado de trilhões de dólares e perder o bonde da história", complementa Caldeira.

A grande aposta das big techs é que os ganhos de produtividade viabilizados pela Inteligência Artificial compensarão os massivos investimentos. O temor do mercado, porém, é de que exista uma bolha de IA que pode explodir em breve, como aconteceu com a da internet no início dos anos 2000 e outras inovações ao longo da história.

As perspectivas, até o momento, parecem positivas. A agência de risco Moody’s, que compila dados e informações de empresas e organizações dos mais variados setores, estima que a IA pode trazer ganhos médios de produtividade de 1,5% ao ano na próxima década. O percentual dependerá de fatores como composição da força de trabalho, demografia, maturação tecnológica, nível de desemprego e custos trabalhistas, segundo a Moody’s.

Para a consultoria McKinsey, a inteligência artificial tem grande potencial na América Latina. Em estudo apresentado no último Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, a empresa mostrou que avançar na adoção de IA na região pode aumentar a produtividade entre 1,9% e 2,3% ao ano até 2030 e criar entre US$ 1,1 e US$ 1,7 trilhão em valor econômico anual adicional localmente.

"A baixa produtividade da economia da América Latina, que há anos tem ficado abaixo da média global, é um dos entraves para o crescimento robusto e sustentado da região há muito tempo", cita José Maurício Caldeira. "Temos diante de nós uma oportunidade que precisa de esforços e investimentos coordenados para dar resultados", acrescenta.

De acordo com a pesquisa da McKinsey, há muito trabalho pela frente. Atualmente, apenas um quarto das organizações latino-americanas está gerando algum valor econômico a partir do uso de IA, e somente 6% reportam criação significativa de valor.

A consultoria sugere que, para acelerar esta transição, as empresas têm de repensar tanto processos centrais quanto modelos de negócios e não apenas buscar ferramentas que tragam incrementos de produtividade. Setores como agricultura, mineração, energia e turismo, nos quais a América Latina já se destaca, podem trazer os maiores resultados, convertendo-se em vantagens competitivas duradouras.

"Por seu poder transformador, a IA tem potencial para ser um dos avanços tecnológicos mais relevantes da história recente, com impacto que atravessa vários setores econômicos", avalia Jose Maurício Caldeira. "Precisamos de uma abordagem que inclua infraestrutura física e tecnológica, qualificação da mão de obra, governança e colaboração regional para tirar o máximo de proveito deste momento de transformação global", conclui.

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