
Especialistas voltaram a alertar para o risco de extinção dos jumentos no Brasil, após estudos apontarem uma redução drástica da população desses animais nas últimas décadas.
Pesquisadores afirmam que o número de jumentos caiu mais de 90% desde o fim dos anos 1990. A diminuição acelerada acendeu o alerta entre ambientalistas e entidades de proteção animal, que defendem medidas urgentes de preservação.
Entre os principais fatores apontados estão o abandono, a mecanização das atividades rurais e o abate voltado para exportação da pele. A pele dos jumentos é utilizada na produção de produtos derivados de colágeno destinados ao mercado internacional.
O tema passou a ser discutido no Congresso Nacional e também na Justiça. Especialistas pressionam pela criação de leis que proíbam o abate dos animais no Brasil, argumentando que a continuidade da prática pode acelerar ainda mais a redução populacional.

Decisões judiciais recentes já reconheceram o risco de desaparecimento da espécie em determinadas regiões. Alguns frigoríficos tiveram atividades suspensas após questionamentos sobre maus-tratos e controle populacional.
Além da importância ambiental, os jumentos possuem forte valor histórico e cultural, principalmente no Nordeste brasileiro. Durante décadas, os animais tiveram papel fundamental no transporte e no trabalho rural.
Com o avanço da mecanização no campo, muitos jumentos perderam espaço nas atividades rurais e passaram a enfrentar situações de abandono em diferentes regiões do país.
Especialistas também apontam a falta de dados oficiais atualizados como um obstáculo para políticas públicas de preservação. A ausência de monitoramento dificulta ações mais eficientes de proteção da espécie.
O debate sobre os jumentos envolve preservação ambiental, economia e tradição cultural, enquanto pesquisadores alertam para a necessidade de medidas rápidas para evitar perdas irreversíveis.