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Obligar monitora R$ 1 bilhão em dívidas estruturadas

A Obligar, startup fundada por Ulisses Fernando e Giovane Duarte, monitora obrigações contratuais em dívidas estruturadas do mercado de capitais. E...

Por: Redação Fonte: Agência Dino
02/07/2026 às 13h18
Obligar monitora R$ 1 bilhão em dívidas estruturadas
Obligar

A Obligar, fundada por Ulisses Fernando e Giovane Duarte, que dividem hoje as funções de CEO e COO, respectivamente, quer centralizar o monitoramento de obrigações contratuais e reduzir o número de assembleias causadas por descumprimentos no mercado de capitais.

O mercado brasileiro de dívida estruturada — que inclui operações de securitização, CRIs, CRAs, debêntures e outros instrumentos ligados aos setores imobiliário e agro — convive com um problema recorrente: o descumprimento de obrigações contratuais por parte dos emissores. Cláusulas de covenants, prazos de reporte e exigências documentais acabam não sendo cumpridos, o que obriga securitizadoras, fiduciários e investidores a convocarem assembleias para tratar do desenquadramento, gerando custos extras, waiver fee e desgaste entre as partes.

Foi para resolver essa lacuna que nasceu a Obligar, plataforma de monitoramento de obrigações e covenants. Antes de fundarem a empresa, os sócios trabalharam juntos na Virgo atual Riza Sec, uma das maiores securitizadora do país, onde, segundo os fundadores, estruturaram mais de 360 operações no mercado de capitais, com atuação concentrada nos setores imobiliário e agro, em negociações ao lado de instituições como Itaú BBA, XP Investimentos, Bradesco, Safra e Kinea.

Segundo Ulisses Fernando, a ideia da Obligar surgiu de situações concretas vivida no dia a dia acompanhando e estruturando dívidas no mercado de capitais. De acordo com dados da Vitrify, em 2025 foram realizadas 6.161 assembleias no mercado de dívida estruturada, a maioria delas motivada por descumprimentos como atraso na entrega das demonstrações financeiras, não realização do endosso do seguro ao credor e atraso na renovação do seguro da obra, entre outros.

Para o CEO, episódios como esse raramente decorrem de má-fé do emissor, e sim da dificuldade operacional de acompanhar contratos extensos em paralelo à rotina da obra.

"Para o incorporador, há diversas preocupações com a obra, contratação de mão de obra, materiais, folha de pagamento, e ainda é preciso gerir contratos que chegam a mil páginas. Foi dessa dor que nasceu o conceito da Obligar: ajudar os emissores, a monitorarem suas obrigações para que eles não sejam penalizados por perda de prazo e descumprimento", explica.

Com a solução, a Obligar busca atuar como um ponto único de acompanhamento para todos os agentes envolvidos em uma dívida estruturada — emissores, securitizadoras, fiduciários e investidores. O objetivo declarado pelos fundadores é reduzir o tempo e o custo associados a assembleias decorrentes de descumprimento de obrigações, consolidando em um único ambiente dados que hoje ficam dispersos entre planilhas, e-mails e documentos contratuais extensos.

Segundo a empresa, em pouco mais de sete meses de operação, a base de contratos monitorados já soma 56 operações e mais de R$ 1 bilhão em valor financeiro. Entre os clientes que adotaram a plataforma nesse período estão a segunda maior construtora do Brasil, uma das maiores companhias hipotecárias do país, securitizadora e empresas do segmento de loteamento e incorporação vertical de alto padrão, um sinal de que o problema de monitoramento de covenants afeta players de diferentes portes e segmentos do mercado imobiliário e agro. Os números não foram verificados de forma independente pela reportagem.

Com a base de clientes formada majoritariamente nesse primeiro semestre de atuação, o próximo desafio da Obligar, segundo os fundadores, é ampliar o conjunto de funcionalidades da plataforma para apoiar a tomada de decisão dos emissores e agentes envolvidos nas operações. Estão previstos o desenvolvimento de um motor de cálculo para precificação em tempo real, a criação de um módulo dedicado à gestão de assembleias e a implementação de um modo analítico, baseado em inteligência artificial, que cruzaria os dados dos contratos monitorados para apontar informações relevantes aos usuários da plataforma.

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