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Etanol brasileiro entra na mira dos Estados Unidos após proposta de tarifa de 25%

Medida pode reduzir a competitividade do biocombustível nacional e ampliar tensões comerciais entre os dois países

Por: Redação Fonte: iG Agro em Campo / Fecombustíveis / Brasil Agro / StoneX (via Visão Agro).
09/07/2026 às 21h56
Etanol brasileiro entra na mira dos Estados Unidos após proposta de tarifa de 25%
Foto: Reprodução Internet

O etanol brasileiro voltou ao centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após o governo norte-americano propor a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o biocombustível produzido no país. A medida faz parte de uma investigação comercial conduzida pelas autoridades dos EUA e pode representar um novo desafio para um dos principais produtos da cadeia sucroenergética brasileira.

A proposta está inserida em um cenário de crescente tensão comercial entre os dois países. O governo norte-americano argumenta que o Brasil adota práticas consideradas desfavoráveis aos produtores de etanol dos Estados Unidos, especialmente após mudanças implementadas na política de importação brasileira a partir de 2017.

Segundo a justificativa apresentada pelos Estados Unidos, o Brasil passou a limitar o acesso do etanol americano ao mercado nacional ao adotar cotas de importação e tarifas sobre volumes excedentes. Atualmente, o etanol importado pelo Brasil está sujeito a uma tarifa de 18%, enquanto o etanol brasileiro exportado para os Estados Unidos enfrenta uma tarifa de apenas 2,5%, diferença apontada pelo governo americano como um desequilíbrio comercial.

Caso a tarifa de 25% seja efetivamente implementada, o etanol brasileiro poderá perder competitividade no mercado norte-americano. Isso ocorre porque o aumento dos custos de importação tende a elevar o preço final do produto, reduzindo sua atratividade frente ao etanol de milho produzido nos próprios Estados Unidos.

Especialistas do setor avaliam que, embora os Estados Unidos não sejam atualmente o principal destino das exportações brasileiras de etanol, a medida representa um importante sinal de endurecimento nas relações comerciais entre os dois países e pode abrir espaço para novas restrições a outros produtos do agronegócio brasileiro.

Entidades que representam a indústria sucroenergética brasileira contestam a justificativa norte-americana. Segundo o setor, as tarifas brasileiras seguem as regras estabelecidas pelo Mercosul e não configuram prática comercial desleal. Além disso, as entidades lembram que o açúcar brasileiro continua enfrentando fortes restrições para acessar o mercado dos Estados Unidos, o que demonstra que as barreiras comerciais existem dos dois lados da negociação.

Outro argumento apresentado pelas entidades brasileiras é que o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar possui uma das menores emissões de carbono do mundo, sendo considerado um dos biocombustíveis mais eficientes para a descarbonização do setor de transportes e para o cumprimento das metas globais de sustentabilidade.

Além do impacto sobre as exportações, uma eventual tarifa também pode influenciar decisões de investimento no setor sucroenergético brasileiro. Empresas podem buscar novos mercados internacionais para reduzir a dependência do mercado norte-americano e ampliar a presença em países que vêm aumentando o consumo de combustíveis renováveis.

Enquanto isso, o governo brasileiro acompanha o andamento da investigação conduzida pelos Estados Unidos e defende que eventuais divergências comerciais sejam resolvidas por meio do diálogo bilateral, evitando medidas que possam prejudicar o comércio entre as duas maiores economias das Américas.

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