
Um caso recente de intoxicação envolvendo o herbicida diquate voltou a chamar a atenção para os riscos associados ao uso de determinados agrotóxicos e reacendeu o debate sobre as diferenças entre a legislação brasileira e a adotada por outros países. A substância, proibida na União Europeia desde 2018 por preocupações relacionadas aos impactos na saúde humana e no meio ambiente, continua autorizada para uso agrícola no Brasil.
O episódio ganhou repercussão após um trabalhador rural sofrer intoxicação durante o manuseio do produto. O caso levantou questionamentos sobre a necessidade de reforçar medidas de segurança, ampliar a fiscalização e discutir a permanência do ingrediente ativo no mercado brasileiro.
O diquate é um herbicida de contato, utilizado principalmente para eliminar plantas daninhas e realizar a dessecação de culturas antes da colheita. Sua ação é rápida e faz com que a vegetação tratada seque em pouco tempo, característica que levou o produto a ser amplamente utilizado em diferentes sistemas de produção agrícola.
Apesar de sua eficiência agronômica, especialistas apontam que o manuseio exige cuidados rigorosos, uma vez que a exposição direta pode provocar intoxicações, principalmente quando não são utilizados equipamentos de proteção individual (EPIs) ou quando há falhas na aplicação.
A União Europeia decidiu retirar o diquate do mercado após avaliações técnicas indicarem preocupações quanto aos riscos para trabalhadores rurais, organismos aquáticos, aves e outros componentes do meio ambiente.
Além das questões ambientais, estudos analisados por autoridades europeias levantaram dúvidas sobre possíveis efeitos tóxicos decorrentes da exposição prolongada ao produto, levando o bloco a adotar o princípio da precaução e não renovar sua autorização de uso.
Enquanto diversos países restringiram ou proibiram o uso do diquate, o herbicida permanece autorizado no Brasil para determinadas culturas e condições de aplicação, desde que sejam respeitadas as normas estabelecidas pelos órgãos reguladores.
No país, o registro, a fiscalização e a avaliação dos agrotóxicos envolvem a atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Esses órgãos são responsáveis por analisar aspectos relacionados à eficácia agronômica, à saúde humana e aos impactos ambientais antes da concessão ou manutenção dos registros.
A intoxicação por diquate pode ocorrer por inalação, ingestão ou contato direto com a pele e os olhos.
Entre os sintomas mais comuns estão:
A gravidade depende da quantidade absorvida pelo organismo, da forma de exposição e da rapidez com que a vítima recebe atendimento médico.
Especialistas ressaltam que o uso seguro de qualquer defensivo agrícola depende do cumprimento rigoroso das orientações técnicas.
Entre as principais recomendações estão:
Também é fundamental interromper imediatamente a exposição e procurar atendimento médico diante de qualquer suspeita de intoxicação.
O caso reacende uma discussão recorrente no setor agrícola sobre a necessidade de equilibrar produtividade, segurança dos trabalhadores e proteção ambiental.
Enquanto representantes do agronegócio defendem que os produtos registrados passam por avaliações técnicas e são seguros quando utilizados conforme as recomendações, pesquisadores e entidades ligadas à saúde pública argumentam que novas evidências científicas devem ser constantemente analisadas para orientar decisões regulatórias.
O episódio envolvendo o diquate reforça a importância do uso responsável dos defensivos agrícolas, da adoção de boas práticas no campo e do acompanhamento permanente das avaliações realizadas pelos órgãos reguladores, tanto no Brasil quanto em outros países.