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Intoxicação por diquate acende alerta sobre uso de agrotóxico proibido na Europa, mas ainda autorizado no Brasil

Caso envolvendo agricultor reacende debate sobre os riscos do herbicida diquate, substância banida na União Europeia por preocupações com a saúde humana e o meio ambiente, mas que continua liberada para uso agrícola em território brasileiro

Por: Redação Fonte: iG Agro em Campo / Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) / Ibama.
02/08/2026 às 11h00
Intoxicação por diquate acende alerta sobre uso de agrotóxico proibido na Europa, mas ainda autorizado no Brasil
Foto: Reprodução.

Um caso recente de intoxicação envolvendo o herbicida diquate voltou a chamar a atenção para os riscos associados ao uso de determinados agrotóxicos e reacendeu o debate sobre as diferenças entre a legislação brasileira e a adotada por outros países. A substância, proibida na União Europeia desde 2018 por preocupações relacionadas aos impactos na saúde humana e no meio ambiente, continua autorizada para uso agrícola no Brasil.

O episódio ganhou repercussão após um trabalhador rural sofrer intoxicação durante o manuseio do produto. O caso levantou questionamentos sobre a necessidade de reforçar medidas de segurança, ampliar a fiscalização e discutir a permanência do ingrediente ativo no mercado brasileiro.

O que é o diquate?

O diquate é um herbicida de contato, utilizado principalmente para eliminar plantas daninhas e realizar a dessecação de culturas antes da colheita. Sua ação é rápida e faz com que a vegetação tratada seque em pouco tempo, característica que levou o produto a ser amplamente utilizado em diferentes sistemas de produção agrícola.

Apesar de sua eficiência agronômica, especialistas apontam que o manuseio exige cuidados rigorosos, uma vez que a exposição direta pode provocar intoxicações, principalmente quando não são utilizados equipamentos de proteção individual (EPIs) ou quando há falhas na aplicação.

Por que o produto foi proibido na Europa?

A União Europeia decidiu retirar o diquate do mercado após avaliações técnicas indicarem preocupações quanto aos riscos para trabalhadores rurais, organismos aquáticos, aves e outros componentes do meio ambiente.

Além das questões ambientais, estudos analisados por autoridades europeias levantaram dúvidas sobre possíveis efeitos tóxicos decorrentes da exposição prolongada ao produto, levando o bloco a adotar o princípio da precaução e não renovar sua autorização de uso.

Situação no Brasil

Enquanto diversos países restringiram ou proibiram o uso do diquate, o herbicida permanece autorizado no Brasil para determinadas culturas e condições de aplicação, desde que sejam respeitadas as normas estabelecidas pelos órgãos reguladores.

No país, o registro, a fiscalização e a avaliação dos agrotóxicos envolvem a atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Esses órgãos são responsáveis por analisar aspectos relacionados à eficácia agronômica, à saúde humana e aos impactos ambientais antes da concessão ou manutenção dos registros.

Quais são os riscos da intoxicação?

A intoxicação por diquate pode ocorrer por inalação, ingestão ou contato direto com a pele e os olhos.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • irritação intensa na pele e nos olhos;
  • náuseas e vômitos;
  • dores abdominais;
  • dificuldade respiratória;
  • alterações renais e hepáticas nos casos mais graves.

A gravidade depende da quantidade absorvida pelo organismo, da forma de exposição e da rapidez com que a vítima recebe atendimento médico.

Importância da prevenção

Especialistas ressaltam que o uso seguro de qualquer defensivo agrícola depende do cumprimento rigoroso das orientações técnicas.

Entre as principais recomendações estão:

  • utilização completa dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
  • preparo correto da calda;
  • respeito às doses indicadas em bula;
  • armazenamento adequado dos produtos;
  • descarte correto das embalagens;
  • capacitação dos trabalhadores responsáveis pela aplicação.

Também é fundamental interromper imediatamente a exposição e procurar atendimento médico diante de qualquer suspeita de intoxicação.

Debate continua

O caso reacende uma discussão recorrente no setor agrícola sobre a necessidade de equilibrar produtividade, segurança dos trabalhadores e proteção ambiental.

Enquanto representantes do agronegócio defendem que os produtos registrados passam por avaliações técnicas e são seguros quando utilizados conforme as recomendações, pesquisadores e entidades ligadas à saúde pública argumentam que novas evidências científicas devem ser constantemente analisadas para orientar decisões regulatórias.

O episódio envolvendo o diquate reforça a importância do uso responsável dos defensivos agrícolas, da adoção de boas práticas no campo e do acompanhamento permanente das avaliações realizadas pelos órgãos reguladores, tanto no Brasil quanto em outros países.

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