
Uma mulher foi presa temporariamente pela Polícia Civil após a filha, de 10 anos, ser encontrada morta dentro de casa, em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município e envolve suspeitas de estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição.
A criança foi encontrada sem vida pelo próprio irmão, dentro do quarto onde dormia, na madrugada de 10 de agosto. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades e reproduzidas pelo iG, a menina estava com uma coleira de cachorro presa ao pescoço. Inicialmente, o caso foi registrado como morte suspeita, com possibilidade de suicídio, mas novos elementos levaram a investigação a ampliar as linhas de apuração.
Durante o andamento das diligências, a Polícia Civil passou a investigar também a possibilidade de a criança ter sido vítima de exploração sexual. Segundo os relatos reunidos pela investigação, a menina era vista com frequência durante a madrugada em pontos de tráfico e em locais considerados de reputação duvidosa, acompanhada da mãe e de outros homens.
A investigação também aponta que a mãe seria usuária de drogas. Testemunhas ouvidas pelos investigadores relataram que a criança permanecia frequentemente na companhia da mãe e teria uma rotina marcada pelo isolamento social.
Segundo informações atribuídas à delegada responsável pelo caso, a menina não frequentava a escola e não tinha acesso a celular, além de não manter uma rotina social considerada normal para sua idade. Esses elementos passaram a integrar a apuração sobre as circunstâncias em que a criança vivia antes da morte.
Outro elemento considerado relevante para a investigação veio dos exames periciais. Segundo a Polícia Civil, o Instituto Médico-Legal (IML) identificou lesões que podem ser compatíveis com violência sexual anterior.
O resultado dos exames fez com que a investigação passasse a considerar outras possibilidades além da hipótese inicial de suicídio. Apesar disso, a causa e as circunstâncias exatas da morte ainda não foram definitivamente esclarecidas.
A Polícia Civil mantém a apuração em sigilo e busca reunir elementos que permitam determinar o que aconteceu com a menina e se outras pessoas tiveram participação nos possíveis crimes investigados.
A mãe da criança foi presa temporariamente na terça-feira (25), após um pedido apresentado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP). A Justiça autorizou a prisão pelo prazo inicial de 30 dias, medida utilizada para preservar o andamento das investigações e evitar possíveis interferências na coleta de provas.
Além da mãe, dois homens, de 74 e 47 anos, também são investigados pela Polícia Civil. Eles teriam sido ouvidos no curso da apuração e permanecem no radar dos investigadores enquanto as circunstâncias da morte são esclarecidas.
Como parte das diligências, o celular da criança foi apreendido para auxiliar os investigadores. A Polícia Civil também analisa informações relacionadas à rotina da menina e aos contatos que poderiam ajudar a esclarecer os últimos acontecimentos antes de sua morte.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a situação encontrada no imóvel. Segundo informações divulgadas pela investigação, houve alteração na cena antes da chegada da perícia, incluindo a limpeza do local. Esse aspecto também é analisado dentro do conjunto de diligências realizadas pela Polícia Civil.
A Delegacia de Defesa da Mulher de Peruíbe continua trabalhando para esclarecer como a criança morreu, se houve violência sexual e qual teria sido a eventual participação de outras pessoas.
Por enquanto, não há conclusão definitiva sobre a dinâmica da morte. A investigação permanece sob sigilo e novos depoimentos, exames e análises poderão contribuir para esclarecer o caso.
A mulher presa é investigada e não foi condenada pelos crimes. Conforme destacado pela Polícia Civil, ela permanece protegida pelo princípio constitucional da presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva.
Fonte: iG Último Segundo / Polícia Civil de São Paulo.